História (sem fim) à vista

Hoje, por todo o lado, diz-se que assistimos a um momento histórico. E eu, francamente, concordo, mas não consigo partilhar da euforia generalizada.

Hoje, assiste-se a um momento histórico porque 3 partidos que individualmente não alcançaram maioria nas eleições legislativas, decidiram unir-se para ganhar na secretaria aquilo que não forma capazes de ganhar nas urnas (e não, não me refiro à confiança dos eleitores, mas antes ao poder e aos cargos que esta traz consigo).

Se é legal? É! Se, em termos práticos, será melhor para o país, não sei! O que sei é que, quando a 4 de outubro se sujeitaram ao escrutínio dos portugueses, estes países fizeram-no individualmente, sem nenhuma proposta de governação conjunta. As pessoas que foram votar, fizeram-no com base na informação / programa de governo que lhes foi apresentada por cada partido candidato, e nunca se proncunciando de forma clara sobre a formação de uma qualquer coligação à esquerda. A única coligação que foi a votos e que a votos se apresentou como tal foi a PaF e- independentemente de cada um de nós ter votado ou não nela – reuniu a maioria dos votos e, por isso, deveria ser capaz de governar; deveria ser-lhe permitido governar.

Em vez disso, assistimos a anti-política; não interesa o que a maioria dos portugueses decidiu quando foi às urnas, importa o que vão decidir agora outras pessoas que, atempadamente, não foram capazes de apresentar soluções conjuntas.

Refugiando-se na constituição e na “legalidade” do processo, subvertemos para sempre o princípio da democracia, em que quem ganha (com maioria absoluta ou sem maioria absoluta) tem o direito de governar. Tudo bem que podem dizer que a PaF, mesmo mantendo-se no governo, seria impedida de governar porque nenhuma das suas propostas (a começar pelo orçamento de estado) seria aprovada (dada a inexistência de maioria absoluta), mas isso – novamente – é anti-política, é assumir, a priori, indisponibilidade para conversar e negociar.

Hoje faz-se história, sim, mas não estou certa de que seja o conto de fadas que nos têm vendido e estou ainda menos certa sobre o final feliz que a mesma possa ter.

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