Carta aberta aos camionistas

Desde a passada semana, altura em que sofri um acidente de viação (que me estou a esforçar por esquecer) que conduzo tal e qual uma velhinha de 70 anos no que à velocidade diz respeito (apesar de esta última não ter sido a causa do acidente, mas moving on…).

Apesar de o “pé pesado” nunca ter sido a minha principal característica, a verdade é que estou muito mais cautelosa e insegura a conduzir, motivo pelo qual – e porque sou obrigada a conduzir diariamente para o trabalho – circulo maioritariamente na faixa da direita e só me desloco para a esquerda para ultrapassar (algo que acontece muito pontualmente). Tudo bem que este é o pressuposto que nos ensinam no primeiro dia de aulas de condução, mas a verdade é que tendemos a esquecê-lo com o tempo (e nem sequer é preciso muitooooo tempo).

Ora bem, assim sendo, chateia-me particularmente levar com a merda dos “máximos” na tromba sempre que um camionista qualquer acha que – mesmo na faixa da direita – devo andar mais depressa! Na prática, sua excelência, o Rei do Asfalto, é da opinião que uma papa-reformas como eu, mesmo que circule a 80 km/h numa noite de chuva e tenha efetivamente outros carros à sua frente, deve acelerar, mandar-se para a faixa da esquerda, whatever needed para que o todo-poderoso-camionista possa circular livremente à velocidade que bem entende, sem que ninguém o chateie (coisa que, aliás, é bastante comum nas estradas portuguesas… not!).
Para esses camionistas, o simples facto de ser mulher atesta automaticamente a minha incapacidade para conduzir e o facto de o fazer devagar (apesar de dentro dos limites e das regras do código da estrada) apenas reforça a sua convicção.

Ora muito bem, senhor camionista, para que saiba, eu não só sei conduzir, como o faço – acho – relativamente bem e de forma consciente. Não tenho certamente tantos quilómetros de estrada percorridos, mas já conto vários milhares no lombo, o que me dá, no mínimo, experiência suficiente e – não querendo abusar, mas já abusando – alguma credibilidade nesta matéria. Da próxima vez que pensar em enfiar com os “máximos” olhos adentro do condutor à sua frente, espere dois segundos e recorde-se que não sabe nada – NADA – sobre essa pessoa ou sobre as circunstâncias em que conduz e, já agora, avalie se o que ela está a fazer está em (des)acordo com o código da estrada e se aquilo que o senhor camionista se prepara para fazer está de acordo com o código deontológico da sua profissão!

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