Episódios da maternidade #1

Sou mãe há 2 anos!

Nestes dois anos, e apesar de alguns momentos menos fáceis, sempre adorei ser mãe. Calhou-me em sorte o bebé mais lindo do mundo, o mais calmo, o mais risonho, o mais tranquilo, o mais doce menino com que qualquer mãe poderia sonhar. Durante dois anos, foi com este menino doce de olhos rasgados e sorriso maroto que vivi os melhores instantes de cada dia!

Mas tudo o que é bom tem um fim, e esta visão romântica e bonita que tive da maternidade dissipou-se esta madrugada, quando o meu querido filho acordou às 3:30 e gritou até às 6:00. O meu querido filho foi, certamente, possuído por um espírito maligno (e, sobretudo, noctívago!!!) que lhe sussurrava ao ouvido “pede-lhe uma história, pede-lhe um livro, pede-lhe para brincar!”

O forrobodó começou, então às 3:30, com um queixume leve, breve, mas insistente; imaginei o meu santo filhinho perdido no vale do berço à procura da chucha sem conseguir atinar com esse objeto do demo; levantei-me prontamente a pensar que seria uma pausa rápida no meu sono abençoado (como normalmente são sempre) e levantei-me. Mas estava enganadinha! Ele já estava com ela fisgada para me tramar! Mal pressentiu a porta do quarto a abrir, vai de pôr-se logo em pé, com os olhos abertos como que a dizer “então bom dia; vamos lá?” Eu fiz que não vi, pus a chucha, ajudei-o a pôr-se de lado, aconcheguei-lhe o peluche e quando ia aconchegar-lhe os lençóis (que estavam ao fundo da cama), a criatura percebeu que “ah e tal, é capaz de ainda não ser de manhã” e toma lá disto “buá buá buá”.

Como mãe dedicada que sou (acho que sou, de facto), e porque, de facto, estes momentos de convívio noturno não são habituais lá em casa, peguei-lhe ao colo para acalmá-lo, sentei-me com ele no meu colo, acalmei-o até ele ficar KO novamente. O problema foi que o sacana do puto percebeu quando o estava a por no berço, mas mesmo assim estava tão bêbedo de sono que reclamou apenas ligeiramente. Ora, nesta altura eu já achava que estava com a noite estragada, porque a pausa estava a demorar bem mais tempo do que previra, mas estava longe de imaginar o que se seguia.

Deitei-me, troquei duas ou três palavras (provavelmente menos agradáveis) com o meu marido (confesso que quando estamos com sono, não somos os seres mais simpáticos à face da terra) e esperei calmamente que o sono chegasse novamente… e ele estava mesmo, mesmo, mesmo a chegar, acontece que deve ter feito barulho e o puto acordou novamente! Desta vez foi lá o marido, mas eu já não conseguia dormir; a noite ainda se manteve em silêncio algum tempo, mas depois o T. desatou num choro desalmado, desnorteado que me impedia de acalmar e me fez levantar para tentar aquecer leitinho (é incrível o poder que este pequeno hábito tem no processo de acalmar o meu filho… e grande parte das outras crianças, diria eu); demos-lhe o leitinho e esperámos que fizesse “efeito”, mas não fez! No colo aidna se aguentava, mas nem pensar em coloca-lo na cama.

Choro, choro, choro, CHORO E MAIS CHORO, num processo que se descontrolou totalmente e nos deixou aos 3 (sim, julgo que foi aos 3) sem saber como fomos lá parar! O T. às páginas tantas estava tão bêbedo de sono, mas ao mesmo tempo desperto, que pedia uma história, depois pedia um livro, depois queria o pai, depois queria a mãe, a seguir queria sentar-se, depois queria deitar-se; num minuto estava com os olhos praticamente cerrados e completamente calmo e no outro desatava num pranto terrível que, primeiro nos assusta, depois nos enerva e no final já nos angustia!

Pela primeira vez desde que sou mãe, levei o meu filho a meio da noite para a minha cama, numa tentativa desesperada de fazê-lo acalmar-se o suficiente e dormir, mas não resultou como esperava. Não queria deitar-se, como também não queria sentar-se, não queria a luz apagada mas incomodava-o a luz acesa, tinha um peluche, mas também queria o outro, queria a mãe, mas nem pensar em estar deitado e abraçado a ela… Na verdade, ele queria exatamente o mesmo que nós: dormir profundamente, mas não sabia como.

Eram 06:00 quando o fui deitar na sua cama; conseguimos adormecê-lo na nossa cama, no meu colo e meio sentado, meio deitado, com os dois peluches e a contar-lhe a história “adaptada” (versão longa, muito longa e pormenorizada) da história do rato do campo e do rato da cidade. Ele abriu os olhos quando me levantei com ele no colo e manteve-os abertos quando o deitei no seu berço, mas acho que até ele estava esgotado e derrotado.

Como por norma me levanto às 07:00 e já eram 06:20, pareceu-me mais sensato preparar-me para ir trabalhar em vez de tentar dormir os 45 minutos que me sobraram. E assim foi! Não estou a cair de sono, mas sinto-me exausta, o corpo doí-me em todo o lado, a cabeça pesa duas toneladas, a minha paciência está em níveis próximos de zero e tenho um enorme aperto no peito porque sei que o meu filho, o meu bebé doce, de olhos rasgados e sorriso maroto, vai ter um dia pior que o meu!

Acho que hoje somos uma família imprópria para consumo!

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