História (sem fim) à vista

Hoje, por todo o lado, diz-se que assistimos a um momento histórico. E eu, francamente, concordo, mas não consigo partilhar da euforia generalizada.

Hoje, assiste-se a um momento histórico porque 3 partidos que individualmente não alcançaram maioria nas eleições legislativas, decidiram unir-se para ganhar na secretaria aquilo que não forma capazes de ganhar nas urnas (e não, não me refiro à confiança dos eleitores, mas antes ao poder e aos cargos que esta traz consigo).

Se é legal? É! Se, em termos práticos, será melhor para o país, não sei! O que sei é que, quando a 4 de outubro se sujeitaram ao escrutínio dos portugueses, estes países fizeram-no individualmente, sem nenhuma proposta de governação conjunta. As pessoas que foram votar, fizeram-no com base na informação / programa de governo que lhes foi apresentada por cada partido candidato, e nunca se proncunciando de forma clara sobre a formação de uma qualquer coligação à esquerda. A única coligação que foi a votos e que a votos se apresentou como tal foi a PaF e- independentemente de cada um de nós ter votado ou não nela – reuniu a maioria dos votos e, por isso, deveria ser capaz de governar; deveria ser-lhe permitido governar.

Em vez disso, assistimos a anti-política; não interesa o que a maioria dos portugueses decidiu quando foi às urnas, importa o que vão decidir agora outras pessoas que, atempadamente, não foram capazes de apresentar soluções conjuntas.

Refugiando-se na constituição e na “legalidade” do processo, subvertemos para sempre o princípio da democracia, em que quem ganha (com maioria absoluta ou sem maioria absoluta) tem o direito de governar. Tudo bem que podem dizer que a PaF, mesmo mantendo-se no governo, seria impedida de governar porque nenhuma das suas propostas (a começar pelo orçamento de estado) seria aprovada (dada a inexistência de maioria absoluta), mas isso – novamente – é anti-política, é assumir, a priori, indisponibilidade para conversar e negociar.

Hoje faz-se história, sim, mas não estou certa de que seja o conto de fadas que nos têm vendido e estou ainda menos certa sobre o final feliz que a mesma possa ter.

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Carta aberta aos camionistas

Desde a passada semana, altura em que sofri um acidente de viação (que me estou a esforçar por esquecer) que conduzo tal e qual uma velhinha de 70 anos no que à velocidade diz respeito (apesar de esta última não ter sido a causa do acidente, mas moving on…).

Apesar de o “pé pesado” nunca ter sido a minha principal característica, a verdade é que estou muito mais cautelosa e insegura a conduzir, motivo pelo qual – e porque sou obrigada a conduzir diariamente para o trabalho – circulo maioritariamente na faixa da direita e só me desloco para a esquerda para ultrapassar (algo que acontece muito pontualmente). Tudo bem que este é o pressuposto que nos ensinam no primeiro dia de aulas de condução, mas a verdade é que tendemos a esquecê-lo com o tempo (e nem sequer é preciso muitooooo tempo).

Ora bem, assim sendo, chateia-me particularmente levar com a merda dos “máximos” na tromba sempre que um camionista qualquer acha que – mesmo na faixa da direita – devo andar mais depressa! Na prática, sua excelência, o Rei do Asfalto, é da opinião que uma papa-reformas como eu, mesmo que circule a 80 km/h numa noite de chuva e tenha efetivamente outros carros à sua frente, deve acelerar, mandar-se para a faixa da esquerda, whatever needed para que o todo-poderoso-camionista possa circular livremente à velocidade que bem entende, sem que ninguém o chateie (coisa que, aliás, é bastante comum nas estradas portuguesas… not!).
Para esses camionistas, o simples facto de ser mulher atesta automaticamente a minha incapacidade para conduzir e o facto de o fazer devagar (apesar de dentro dos limites e das regras do código da estrada) apenas reforça a sua convicção.

Ora muito bem, senhor camionista, para que saiba, eu não só sei conduzir, como o faço – acho – relativamente bem e de forma consciente. Não tenho certamente tantos quilómetros de estrada percorridos, mas já conto vários milhares no lombo, o que me dá, no mínimo, experiência suficiente e – não querendo abusar, mas já abusando – alguma credibilidade nesta matéria. Da próxima vez que pensar em enfiar com os “máximos” olhos adentro do condutor à sua frente, espere dois segundos e recorde-se que não sabe nada – NADA – sobre essa pessoa ou sobre as circunstâncias em que conduz e, já agora, avalie se o que ela está a fazer está em (des)acordo com o código da estrada e se aquilo que o senhor camionista se prepara para fazer está de acordo com o código deontológico da sua profissão!

A gratidão

Às vezes, ao domingo à noite, quando estou enroscada no sofá com o meu marido a ver uma série e a carpirmos juntos a mágoa de daí a umas horas ser já 2ª feira novamente, não consigo deixar de sorrir ao pensar que é mesmo bom aquele aconchego (mesmo que, efetivamente, seja 2ª feira daí a umas horas). A casa tranquila, o nosso amor maior a descansar no quarto, nós dois juntos no sofá, os pijamas velhos mas confortáveis, os óculos em vez das lentes de contacto, os chinelos largados ao acaso e as discussões permanentes sobre quem ocupa mais espaço na chaise-longue ou de quem é a vez de ir buscar o chá (em 90% dos casos é sempre a minha vez), tudo isso são partes de um rotina que repetimos vezes sem conta, aproximando-nos da eternidade.

Nesses momentos sinto-me grata, sinto-me mesmo grata, pois tomo consciência de que – apesar de não ter tudo aquilo que desejo diariamente – tenho tudo o que preciso para ser feliz, muito feliz! Mesmo que no dia seguinte tudo pudesse ter mudado… mas não mudou!

do empreendedorismo

Eh pá, gosto de gente empreendedora! Mas daqueles empreendedores à séria, que arregaçam as mangas e não desistem por qualquer coisinha. Daqueles que ganham mais vontade e mais força quantas mais vezes lhes dizem que está difícil e não vão conseguir. Que cerram os lábios aos comentários menos felizes e pensam, decididos “já te mostro se vou conseguir ou não, ó infeliz!” Continuar a ler

Episódios da maternidade #1

Sou mãe há 2 anos!

Nestes dois anos, e apesar de alguns momentos menos fáceis, sempre adorei ser mãe. Calhou-me em sorte o bebé mais lindo do mundo, o mais calmo, o mais risonho, o mais tranquilo, o mais doce menino com que qualquer mãe poderia sonhar. Durante dois anos, foi com este menino doce de olhos rasgados e sorriso maroto que vivi os melhores instantes de cada dia!

Mas tudo o que é bom tem um fim, e esta visão romântica e bonita que tive da maternidade dissipou-se esta madrugada, quando o meu querido filho acordou às 3:30 e gritou até às 6:00. O meu querido filho foi, certamente, possuído por um espírito maligno (e, sobretudo, noctívago!!!) que lhe sussurrava ao ouvido “pede-lhe uma história, pede-lhe um livro, pede-lhe para brincar!” Continuar a ler

“Tou a suar do meu bigode”

Quando achamos que já ouvimos tudo na televisão portuguesa, que não há muito mais que possa surpreender-nos, frases são proferidas, pensamentos verbalizados… e depois de ditas, as palavras não voltam atrás. Desde ontem há noite que haverá quem tenha, para sempre, os seus 5 minutos de fama no horário nobre da televisão nacional associados à sinceridade com que admitiram, no final da sua performance e da sua total entrega num programa de talentos: “tou a suar do meu bigode”!